sábado, 22 de maio de 2010

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo: Teadoro, Teodora.



É do Bandeira. Manoel. Manoel Bandeira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

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Quis tirar essas nossas fotografias que existe quando fecho os olhos juntos nos teus. Quero escrever mais algumas linhas e lembrar como eu dou risada de quando você tenta impedir que eu compre esses vinhos baratos. Quero ver tua cara chateada de quando falo aquelas mentiras e quando deixo aquele filme de sexo barato na TV; quando visto aquelas mesmas roupas por três dias e o quanto detestas essa minha falta de senso de higiene. Quero ver teu sorriso molenga, teu cabelo amarrado todo bem folgado, com qualquer roupa e tua voz macia falando “a gente”. Quero mais essas horas de insônia na tua voz sossegada feito criança.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

. Refazer

Na grande maioria das vezes é isso que existe no meu mundo:

. Estragar;
. Acordar;
. Desajeitar;
. Levantar;
. Pentear;
. Ir;

É irritante o fato d’eu nunca conseguir me expressar por inteira. E do quanto falo o que nem sempre era o que eu queria. Eu só queria ficar aqui, trancada nesse quarto, no frio constante das cinco da manhã. Parada, cansada, o corpo latejando de alguma dor nessa minha costa torta ou por eu me arranhar até ferir. Queria só ficar afundada nesses lençóis com cheirinho bom, como se tivesses sidos lavados há pouco. Sentir mais que ver, cor por cor, que essas cortinas daqui fazem no amanhecer. Queria ela Mar-ia (que de tanto - a- mar que tem, me dói) aqui, naquele soninho frouxo, pra eu falar baixo, pedindo perdão, enquanto dorme pra sempre. Enquanto a chuva não pára de cair lá fora. Enquanto tomo qualquer coisa de manhã, me despeço do quarto e vou descendo aquela escada que me deixa tonta. Enquanto pego a bicicleta e penso: preguiça que deu de ir viver hoje...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Bilhete

Por favor, eu não quero me apaixonar por esse teu tom de voz. Por essa ironia que tens ao falar no telefone. Por esse teu jeito sem dono, sem ser de ninguém.
Eu não quero!
Vou desligar o telefone e me trancar em qualquer lugar. Bem longe de toda essa vontade de te ter mais perto dos olhos.


- If anybody needs me I'll be crying in my closet. :/






. Odeio essa falta do que falar, do que escrever. Odeio esse muito do que sentir.